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Primeiros passos para tornar o acervo das bibliotecas acadêmicas brasileiras mais acessíveis com Wikidata

  • Por: Amarílis Corrêa 
  • Traduzido por: Anna Cicilini

Amarílis Corrêa é bibliotecária da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Ela se inscreveu no curso introdutório de Wikidata da Wiki Education para aprender mais sobre como aplicar a vinculação de dados ao seu trabalho.

Antes de falar sobre minha experiência com o curso do Instituto Wikidata da Wiki Education, permita-me apresentar um breve histórico de como descobri o Wikidata, seu potencial para o patrimônio cultural e acervos científicos mantidos pelas bibliotecas e as contribuições enriquecedoras que os bibliotecários podem fazer.

No início de 2020, uma das minhas tarefas era restaurar a base de dados referencial de artigos (publicados em revistas e periódicos acadêmicos brasileiros) que havia sido corrompida alguns anos atrás por falhas tecnológicas e de hardware. Essa seria a chance de converter os registros de formato MARC em mais fáceis para a pesquisa, visíveis e conectados a outros acervos. No entanto, quais eram as opções?

Sou pesquisadora em preservação digital, então tinha ouvido falar de linked open data com esse propósito, mas não tinha me aprofundado até a pandemia de COVID-19 chegar ao Brasil em março e eu começar a trabalhar em casa. Muitas conferências aconteceram virtualmente – como a LIBER 2020 e a LD4, muito mais fáceis de assistir, principalmente quando gratuitas – e eu tive a oportunidade de participar de reuniões e workshops, conhecer profissionais de outros países e seus projetos, ouvir suas experiências, desafios e realizações. Ao longo de uma ou duas semanas, o tema de linked open data apareceu várias vezes, mais do que nunca, em conversas com colegas brasileiros e estrangeiros. Uma das abordagens sobre o Wikidata veio ao conhecer um dos coordenadores do Grupo de Usuários Wiki Movimento Brasil através de uma bibliotecária da universidade.

Quando me inscrevi no curso do Instituto Wikidata em setembro, tive uma vaga ideia do que era o Wikidata, adicionei algumas referências à verbetes e experimentei algumas tentativas frustrantes de realizar consultas. Mas só depois de ler o primeiro artigo sugerido pelo Will Kent  – um de nossos muito paciente e atenciosos instrutores, o outro era o Ian Ramjohn – e fazer as primeiras atribuições que eu percebi o quão amplo é o Wikidata: ele agrega desde criaturas fictícias e mundos imaginários a asteróides, espécies de flores, bandas de rock, edifícios históricos, artigos científicos, anos do calendário e assim por diante. Ele pode realmente ser o lugar para representar, por meio de dados estruturados, tudo que existe.

Durante o curso, um dos assuntos mais populares em nossas reuniões foi a forma de representar os itens. Como bibliotecários e catalogadores, muitos de nós estávamos preocupados com padrões e modelos de dados: qual é a melhor maneira de descrever isso ou aquilo? Quais valores ou referências são mais apropriados? Existe uma boa prática recomendada? Também tivemos uma colega de classe sempre levantando questões sobre semântica, porque é sua especialidade e ela viu diferentes valores sendo usados como sinônimos. As reuniões de uma hora geralmente não eram suficientes para debater, comentar nossos experimentos durante a semana, apresentar dúvidas e receber novos conceitos e demonstrações de ferramentas nas apresentações do Will. É por isso que o canal do Slack sempre foi tão movimentado.

Um curso de três semanas sobre o Wikidata é uma boa introdução, porque é uma longa curva de aprendizado até que a pessoa se sinta confiante para editar e explorar o potencial oferecido pelo Wikidata. Embora a categoria ‘instância de’ (P31) ainda me faça pensar muito qual o melhor valor a ser usado – mais geral, mais específico ou vários valores – e as consultas representem um grande desafio, acho que após este curso sinto que posso orientar outros usuários iniciantes com os fundamentos básicos do Wikidata e planejar um modo de adotá-lo como ambiente para o compartilhamento do acervo de bibliotecas na forma de dados.

Além da prática de editar (que faz o tempo voar, porque uma declaração“simples” leva a outro item que apresenta outro verbete que pode precisar de edição ou até a criação de um novo item), existem muitas ferramentas para se familiarizar, claro que você não precisa usar todas elas; no entanto, algumas podem ser úteis para criar itens, identificar línguas que faltam nas descrições e/ou rótulos, criar a visualização dos dados, apresentar um item em uma interface mais amigável, como o Reasonator. Existem também diversos WikiProjetos a serem descobertos na hora de procurar aqueles que possam estar relacionados à sua prática profissional (ou interesse pessoal), dos quais você pode participar e também adaptar à sua instituição ou acervo.

Meu primeiro uso desse conhecimento será trabalhando no GLAM-Wiki que estou ajudando a implementar nas bibliotecas da Universidade de São Paulo (GLAM Bibliotecas da USP), visando a construção de dados abertos das produções científicas e artísticas dos pesquisadores, dos registros bibliográficos dos periódicos publicados pela universidade e seu acervo de patrimônio cultural e científico. Pretendo manter contato e continuar aprendendo através das conferências e espaços colaborativos recomendados durante o curso, além de outras associações (como o Grupo de Trabalho Wikidata IFLA), bem como compartilhar as conquistas desse GLAM.

Sem dúvida, dou crédito a essa ótima experiência que tive ao Instituto Wikidata, aos instrutores Will e Ian e a todos os colegas. 

Interessado em fazer um curso como o que o Amarílis fez? Visite wikiedu.org/wikidata para ver as ofertas de cursos atuais.

Publicado originalmente em 16/10/2020, em WikiEdu.

Wiki
<ref "wmbr1512">Érica Azzelini (29 de janeiro de 2021). [https://wp.me/p5zA2r-oo Primeiros passos para tornar o acervo das bibliotecas acadêmicas brasileiras mais acessíveis com Wikidata] Wiki Movimento Brasil. Visitado em 23 de julho de 2021 </ref>
ABNT
Primeiros passos para tornar o acervo das bibliotecas acadêmicas brasileiras mais acessíveis com Wikidata. In: Website Wiki Movimento Brasil. São Paulo: Wiki Movimento Brasil, 2021. Disponível em: <https://wp.me/p5zA2r-oo>. Acesso em: 23 jul. 2021.

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